Primeira Leitura (Gn 1,26–2,3); Responsório (Sl 89); Evangelho (Mt 13,54-58)
“Como tu podes desejar que uma situação seja mudada, se tu não estás atento aos apelos que, constantemente, lhe tem chegado? Como tu podes querer que algo seja diferente, se tu mesmo não te empenhas a tomar iniciativas de fazer algumas coisas diferentes? Como tu podes desejar mudança, se trazes o coração ainda fechado, se não estás atento àqueles que contigo caminham lado a lado, mas cuida, tão somente, dos teus próprios interesses, como se a ti mesmo tu te bastasses? Como tu podes pedir a Deus uma nova oportunidade, como tu podes suplicar perdão, se àquele que tem te ofendido ou tem estado ao teu respeito equivocado, tu não mostras, com tua própria vida, onde se encontra a verdade? Como tu podes pedir perdão se guardas rancor no coração?
Se, algumas vezes, erraste; se reconheceste que, mesmo querendo acertar, vieste a errar; se te foi dada uma oportunidade de, outra vez, recomeçar, por que tu não atendes aos apelos que te tem chegado de pessoas que tem caído, errado e buscam na vida uma nova oportunidade? Será que o perdão só para ti foi criado? Será que Deus é Pai teu, unicamente? Será que não existe nada nesse mundo além de ti e tuas preocupações? Será que o que vale a pena é cuidar de ti, tão somente?
Tu não percebes que o caminho mais curto entre Deus e o homem é o próximo? Por que te distancias, fazes vista grossa a quem está de ti mais próximo, e procuras ser todo zelo e atenção para os que estão fora de tua casa, para os que estão distantes, como que buscasses neles algum reconhecimento ou aprovação? Como se pode ser tão exigente para quem vive contigo, cotidianamente, e tão fácil, tão acessível para os de fora, como se não contassem os de casa, finalmente? Como tu podes usar de pesos e medidas diferentes, conforme o que venha te agradar? Por que tu não és justo, firme, seguro e sereno, não és constante na forma de viver, de ser, de agir e de falar?
Tu não percebes que existem algumas coisas, em tua vida, que contigo não podem mais combinar e, mesmo assim, tu insistes nelas, como se delas quiseste tirar algum proveito, como quem vive com um pé lá e outro cá, e não te decides por um único lugar? Por que estás atento onde maior oportunidade, onde mais interesse, benefício aquele lado possa te dar? Ages por interesse, ages por conveniência, não por amor à verdade. Ages conforme o que tende o teu coração. Não ages para fazer justiça, independente de quem, naquela situação. Como tu podes, então, falar com paz? Como tu podes, então, ser sinal de unidade, se tu mesmo desobedeces, se tu mesmo não segues à risca a única palavra que traz paz?
É tempo de mudança. O tempo teu está se esgotando e eu te pergunto: a continuar da forma como estás, a saturação acontecerá quando? E, quando acontecer uma saturação, tu perderás o controle da situação.
É preciso, enquanto é tempo, resolver certas questões que estão em curso; esse é o momento. Senão fizeres assim, como tu podes pedir a Deus sinais, que atenda aos teus apelos, quando a palavra do Senhor, em tua vida, dela pouco caso tu fazes? Fazer pouco caso da palavra e agir conforme teu interesse, unicamente, sem buscar traduzir em atos convincentes o que dizes acreditar, finalmente, por acaso isso tem algum valor diante de Deus onipotente?
Acreditas que Deus não saibas do que tu precisas? Ele sabe, bem antes do que venhas a precisar, mas Ele espera que tu nEle acredites, que tu dês espaço para que a mudança em tua vida Ele possa iniciar. Claro que Ele sabe do que tu necessitas, mas tu insistes em antigos comportamentos, não levando em conta a palavra do Senhor. E, por isso, tão distante dEle tens te mantido ultimamente.
Pensa aí, em alguns momentos: em que ato, em que palavra Deus não tem participado nesses últimos tempos? Em que atos teus, em que palavras tuas Ele não tem participado nesses tempos? E tu sabes quais foram os atos, tu sabes quais foram as palavras, quais atitudes e pensamentos que, totalmente, fugiram dEle e, mesmo assim, tu insistes nisso em permanecer, como se Ele, na prática, em tua vida, não contasse, finalmente.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo.”
(Pe. Airton)
“Tem misericórdia de mim, Senhor, porque sou fraco; sara-me, Senhor, porque os meus ossos estão perturbados.” (Sl 6, 2)
“As possibilidades de se realizar tudo o que, alguma vez, algum dia, por ti tenha sido planejado passam pelas vias dos teus limites e das tuas potencialidades. Vou repetir: as possibilidades de se realizar tudo o que, alguma vez, algum dia, por ti tenha sido planejado passam pelas vias dos teus limites e das tuas potencialidades. És, na tua natureza humana, limitado. Na mesma natureza, contudo, reside a riqueza do muito que ainda não foi explorado. Se, por um lado, és limitado e nem tudo poderás realizar conforme planejas, residem também na tua natureza grandes possibilidades, ainda em estado latente, de que o que até então não tenha sido feito possa ser efetivado. Por isso, tu vives um estado tensional entre os teus limites e o teu potencial. Limites não significam que estejas amordaçado. Limites até te ajudam a balizar certos elementos.
Percebendo que nem tudo o que emerge de ti pode resultar em solução para algo inesperado, tu te darás conta de que és limitado. Tu perceberás, igualmente, que demandas – externas ou internas – não se resolvem tão somente em razão de sentimentos, por melhores que sejam em determinados momentos. Nisto, os limites te ajudam: levam-te a perceber a si mesmo como um ser limitado e, portanto, carente de superação.
Lembra-te de que um rio, para ser rio, por duas margens precisa estar limitado; para ser rio, mesmo um grande rio, caudaloso rio, deve estar limitado entre duas margens. Fora das duas margens, todo rio é aguaceiro, e bem sabes o que isto, quando acontece, pode causar. Por isso, o limite entre duas margens ajuda também a se posicionar.
Em tua natureza, existem elementos latentes que tu podes realizar, mas igualmente existem coisas que, mesmo com o passar dos anos, malgrado tua vontade, não se tornam efetivadas, ao menos não da maneira como gostarias que viesse a acontecer. A forma como um fato repercute em ti (vindo de fora) ou a partir de ti (vindo de dentro) não encerra toda a verdade a respeito deste mesmo fato.
A verdade de um fato não é mensurável, tão somente, pelo que repercute, mas também pela integração de seus vários aspectos interna e externamente. Sintetizo: o mundo não nasceu contigo nem em ti. Tu dás a tua contribuição para a vida, da qual és parte. És parte do todo, és limitado com potencialidades. No concluído, também fica o inacabado. Enquanto existires, pois, viverás um processo de constante aprimoramento.
Nada deixes por fazer, minimamente que seja, do quanto te seja possível hoje realizar. Vou repetir: nada deixes por fazer, minimamente que seja, do quanto te seja possível hoje realizar. O que estiver maduro, em determinado momento, poderá em outro já ter passado do ponto. Tardiamente, o que hoje ainda não é, poderá vir a acontecer. Possibilidades não efetivadas, por terem sido “para depois” deixadas, poderão não acontecer como aconteceriam instantes antes.
A razão disso reside em quê? Espaço e tempo, imprescindíveis a todo e qualquer acontecimento, poderão ser diferentes em outro momento. Como já disse, o que estiver maduro, em determinado momento, poderá, em outro, já ter passado do ponto; e o que ainda não é poderá depois não vir a ser, porque, para que venha a ser, é preciso que haja a conjugação de certos elementos que não dependem, tão somente, da tua vontade naquele momento.
Para que algo possa ter, num processo, favorável resultado, é preciso haver correlação de forças e elementos que tornem possível essa realidade. Para além do planejado, algo pode ser dado. Nem tudo depende somente da oportunidade, nem tudo depende só do planejado, mas também do conjunto de elementos que torne possível um ato ser efetivado. Por isso, vou dizer o que já disse ao longo de todo esse tempo: tu precisas estar preparado tanto para a execução do que tenhas planejado como para enfrentar o que vem pelas asas das eventualidades. Pois sempre algo te escapará (in)felizmente! Se tudo acontecesse segundo o teu ponto de vista, tu viverias a realidade pobremente, uma vez que a riqueza da realidade também se faz pelo que ela traz de modo inesperado. Se tudo acontecesse da forma como, de teu lugar, desejarias ver, não viverias, tampouco conhecerias oportunidades e alegrias maiores, como, por exemplo, a capacidade e a possibilidade de amar, a riqueza de um acontecimento o qual não estavas esperando e que te surpreendeu.
É preciso que não deixes de fazer acontecer quando as oportunidades te forem apresentadas. O que vem de tão caro, em determinado momento, jamais se repetirá da mesma forma posteriormente. Assim são invernos, verões, primaveras e outonos anualmente. O que não é poderá não vir a ser, ficando apenas na possibilidade. E, uma vez o fato vindo a se dar, este não poderá ser mudado, mas a tua compreensão e o teu posicionamento a partir daquele dado sim. Pensa sobre isto antes que seja tarde.”
(Pe. Airton)