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Fundação Terra celebra 33 anos transformando vidas
Instituição comemora aniversário inaugurando uma nova marcenaria-escola e lançando a pedra fundamental da Oficina Ortopédica do Mens Sana
11/09/2017
  • Implantação da pedra fundamental da Oficina Ortopédica do Mens Sana

  • Implantação da pedra fundamental da Oficina Ortopédica do Mens Sana

  • Terço da Misericórdia, no salão da sede da Fundação Terra

  • Kátia Rocha, arquiteta que apoiou a construção da Escola de Marcenaria Divina Misericórdia

  • Padre José, da diocese do Crato, abençoou a Fundação Terra e Padre Airton no aniversário de 33 anos da instituição

  • inauguração da Escola de Marcenaria Divina Misericórdia - Alagoas

Implantação da pedra fundamental da Oficina Ortopédica do Mens Sana

 

Com a implantação da pedra fundamental da Oficina Ortopédica do Mens Sana (foto acima), o Terço da Misericórdia rezado coletivamente na sede da Fundação Terra e a inauguração da nova marcenaria-escola da instituição, Padre Airton Freire comemorou com a comunidade o aniversário de 33 anos da Fundação Terra, na sexta-feira dia 8 de setembro de 2017, em Arcoverde. As solenidades contaram com a presença de voluntários vindos do Recife, de Maceió e de outras cidades.

Às 14h, o primeiro grupo se reuniu para acompanhar a implantação da pedra fundamental da Oficina Ortopédica do Mens Sana. Padre Airton falou sobre a importância da obra, planejada para atender a 4.500 pessoas por ano, de 35 cidades do sertão de Pernambuco. O objetivo da Oficina é confeccionar órteses e próteses para suprir uma demanda existente na região, onde pacientes amputados precisam se deslocar até o Recife para conseguir se protetizar ou, caso não tenham recursos para viajar, entrar numa fila de espera que em alguns casos pode chegar a dois anos.

Junto com a pedra fundamental, foi lançada também uma campanha para arrecadar recursos para a construção da Oficina. Além de Padre Airton, participaram da cerimônia de descerramento da placa da pedra fundamental: o superintendente da Fundação Terra, Wellington Santana; a coordenadora de Saúde, Liege Nogueira; os membros do Conselho Gestor da instituição Gilberto Carneiro e José Nunes, acompanhado da esposa, Normanda Nunes; a presidente do Instituto Padre Airton, Fernanda Carneiro, e o senhor Eduardo Renda, um dos apoiadores da obra.

Em seguida, às 15h, Padre Airton rezou o Terço da Misericórdia no salão da sede da Fundação Terra. Além da oração, o religioso e presidente da instituição também contou um pouco da história das Obras da Terra. Relatou a sua gênese, na Rua do Lixo, e sua vocação para a comunhão: “Eu diria que a Fundação Terra nasceu de um gesto de partilha. Foi criada a partir de um encontro de um Corpo Vivo, dado para a vida do mundo, e de uma necessidade (expressa) num grito de um pobre, através de uma criança. E o que repercutiu em um padre que estava ali presente resultou dessa relação triádica: um padre, uma criança e o Corpo do Senhor. Surgiu também em mim o desejo de partilhar a minha vida com os mais pobres, da mesma forma que o Senhor Jesus partilhava o Seu Corpo e a Sua Vida divina no meio dos excluídos, dos que viviam na periferia das cidades, os que habitavam a Rua do Lixo. Esse foi o momento inaugural da Fundação Terra. A Fundação foi criada para ser uma presença de partilha no meio dos necessitados” (leia abaixo, na íntegra, toda a história contada por Padre Airton).

Ao evocar a natureza indistintamente espiritual e social da Fundação Terra, a mensagem de Padre Airton emocionou muitas das pessoas presentes na comemoração.

A pedido de Padre Airton, Kátia Rocha, sócia da construtora Arquitec, de Alagoas, patrocinadora da obra da marcenaria-escola, fez uma breve explicação sobre sua participação no projeto. Em 2014, por causa do trabalho, a arquiteta começou a dividir seu tempo entre Maceió, onde mora, e Arcoverde. Em algum tempo, conseguiu realizar o sonho de conhecer Padre Airton e se dispôs a ajudá-lo em alguma obra. Foi quando o padre comentou a respeito da necessidade de construir um galpão para abrigar o projeto.

Kátia lembra que um dia, na saída da Adoração, a pessoa que iria buscá-la se atrasou. Então, a também arquiteta Fátima Morais, voluntária da Fundação Terra conhecida como Fafá, lhe ofereceu carona. “Para nós vermos como são as coisas de Deus. Eu nunca tinha visto Fafá. No caminho, nós fomos conversando, e ela conhecia vários dos meus amigos de Maceió. Então, ela disse que estava muito feliz, porque Padre Airton tinha dito que havia conseguido uma empresa para ajudar na construção do galpão. Aí eu disse: ‘Fafá, eu sou da empresa’. E nós começamos a conversar sobre o projeto (leia abaixo o relato na íntegra)”, relata a apoiadora da obra.

Depois de Kátia Rocha, Padre Airton passou a palavra ao Padre José Sampaio Alves, da diocese do Crato (CE). O religioso fez uma exaltação comovente ao trabalho espiritual e social desenvolvido por Padre Airton: “De tempos em tempos, Deus solicita pessoas especiais para obras especiais. Pessoas guardadas em seu coração. Ele envia essas pessoas para serem sinais vivos de Sua graça, de Seu amor. (...) A misericórdia se estende até nós através desse servo de Deus, nosso irmão, o sacerdote Padre Airton Freire, por quem nutrimos particular apreço, pela sua pessoa, pela sua vida e pela sua Obra” (leia abaixo sua fala na íntegra). Para finalizar, Padre José pediu que todos os presentes rezassem juntos três Ave-Marias pela saúde de Padre Airton, num dos momentos mais bonitos da comemoração.

Para finalizar as solenidades, com a presença de Padre Airton; da prefeita de Arcoverde, Madalena Britto; do superintendente da Fundação Terra, Wellington Santana; das arquitetas Kátia Rocha e Fátima Morais, entre outras autoridades, foi descerrada a placa da Escola de Marcenaria Divina Misericórdia - Alagoas.


Assista na íntegra o Terço da Misericórdia rezado por Padre Airton Freire na comemoração dos 33 anos da Fundação Terra: 

 



Depoimento de Padre Airton sobre o surgimento da Fundação Terra:

Vou contar a vocês um pouco da história do surgimento da Fundação Terra. (Quando) a Fundação Terra nasceu, o momento inaugural foi um momento de partilha. O momento de fundação dessa obra aconteceu num momento de partilha.

Um corpo estava sendo partilhado. Um corpo sagrado. O Corpo do Senhor. Aconteceu nesse momento uma demanda que vinha do outro lado, através de uma criança que gritava, que faminta pedia pão. Eu diria que a Fundação Terra nasceu de um gesto de partilha. Foi criada, foi fundada, a partir de um encontro de um Corpo Vivo, dado para a vida do mundo, e de uma necessidade de um grito de um pobre, através de uma criança. E o que repercutiu em um padre, que estava ali presente, resultou dessa relação triádica: um padre, uma criança e o Corpo do Senhor. Foi fundada ali uma Fundação. Surgiu também em mim o desejo de partilhar a minha vida com os mais pobres, da mesma forma que o Senhor Jesus partilhava o Seu Corpo e a Sua Vida divina no meio dos excluídos, dos que viviam na periferia das cidades, à periferia da vida, os que habitavam a Rua do Lixo.

Esse foi o momento inaugural da Fundação Terra. A Fundação foi criada para ser uma presença de partilha no meio dos necessitados. Segundo as necessidades do tempo, nós teremos as nossas atividades. E as atividades escolhidas com o passar do tempo, de todas as que nos chegaram, em três foram resumidas: que pudéssemos cuidar da saúde dos mais pobres, da educação dos mais pobres e que não esquecêssemos da sua situação social. E esse cuidado com o social tem se mostrado, ultimamente, uma preocupação com a profissionalização da juventude, como uma forma de quebrar esse ciclo de pobreza, essa repetição de pobreza, que durante décadas nesta região tem habitado.

O nosso sonho é que possamos, um dia, ter uma escola de profissionalização, para que as gerações futuras não precisem mais pedir, mas que, capacitadas, possam se autogerir. Para que possam administrar o próprio destino e não repetir o que seus pais e avós viveram em décadas passadas. Profissionalizando os jovens, eles não precisarão mais ter que ficar às portas das casas, às ruas, pedindo uma ajuda, ou à cata de lixo. Não precisarão ficar em filas, em frente às residências, para receber ajuda. Porque terão um trabalho digno. Não somente um trabalho, mas partilharão também de uma espiritualidade, que é a da Misericórdia,  que vê o ser humano com um ser potencialmente bom e válido, capaz de superar-se, dar mais um passo, e não ficar caminhando em círculos de erros cometidos, de limites passados. A Misericórdia, portanto, é a espiritualidade que nós aprendemos junto aos mais pobres. Um dia, foi contextualizada na Igreja através de uma vivência que se tornou mais clara, através de pessoas que desejaram também partilhar dessa mesma espiritualidade, que existe para servir e para olhar para si e para o outro com Misericórdia. Entendemos por Misericórdia olhar a pessoa, e não os seus erros passados.

Hoje, na comemoração do 33º aniversário da Fundação Terra, nós estamos inaugurando uma nova escola de marcenaria, ou a parte produtiva, para (servir a) toda a obra da Fundação; ou a parte de ensino para os mais jovens. É uma pequena semente da gama de atividades que já são e que ainda serão oferecidas, futuramente, para todos os jovens dessa comunidade. Temos a Marcenaria, a Escola de Solda, o Curso de Eletricista. A profissionalização em outras áreas, que pretendemos ainda realizar, faz parte de um sonho ainda possível, se Deus me conceder a graça de um dia realizar o que hoje é semente. Se não, ficará o espírito, o desejo de continuidade. Mas enquanto eu me enxergo daqui, eu vejo o ensino profissionalizante, ao lado da espiritualidade da Misericórdia, como dois pilares inseparáveis. Pilares com os quais nós podemos mudar uma realidade de extrema pobreza para uma realidade transformada, modificada, em que os filhos de Deus poderão viver finalmente com dignidade.

Por isso é que em cada aniversário da Fundação Terra uma obra é inaugurada. No ano passado, foi a Capela do Santíssimo Sacramento, enfatizando o aspecto da espiritualidade, do sagrado. Porque acreditamos que desde o princípio o Senhor tem estado ao nosso lado, desde o tempo do pão partilhado. Desde o momento em que um grito se fez ouvir através de uma criança pobre, que era faminta e pedia cuidados, o social e o espiritual passaram a caminhar lado a lado. No ano passado, o espiritual, a Capela do Santíssimo. Este ano, a Marcenaria, como expressão do social. Temos ainda uma capela a ser inaugurada, no próximo ano, na região da Malhada, enfatizando o espiritual. Temos ainda uma Oficina de Órteses e Próteses, também no próximo ano, a ser inaugurada, enfatizando o social. Primeiramente, para atender às demandas desse estado. Depois, pessoas qualificadas poderão replicar o modelo e servir em outras localidade.

Assim têm caminhado as Obras da Terra. Ao lado disso, existem pessoas que em exclusividade dedicam-se a Deus, a servir aos pobres, que são os Servos de Deus. Os que, como que esquecidos de si, resolveram doar a sua vida pela causa da misericórdia, em favor dos mais pobres, para que Cristo seja mais conhecido e mais amado. Pessoas que escolheram ter por família os companheiros de missão e de jornada. A nossa casa é a nossa comunidade. O  nosso campo de ação são aqueles aos quais servimos e para os quais fomos enviados. São os Servos de Deus, de vida comunitária.

Existem ainda aqueles que, tendo suas famílias e morando em suas casas, vivem igualmente a espiritualidade do serviço. Fazem parte desta Terra, dos Grupos da Terra, que bebem desta mesma fonte que foi gerada nesta periferia há 33 anos, num passado que se renova no presente, num grito dos pobres que ainda ecoa no presente, num corpo que continua sendo dado, em favor destes aqui e de toda a humanidade. É desta forma que nós queremos viver esse carisma, segundo as necessidades do tempo, atendendo ao apelo de um grito dado e de um corpo doado.

Nessa espiritualidade nasceram a Fundação Terra e todas as Obras da Terra, há 33 anos. Hoje está sendo lembrada a inauguração de uma Obra que, praza o Céu, tenha ainda continuidade por muitos e muitos anos, permanecendo fiel ao carisma inaugural de servir aos que mais precisam, de ser companheiro seu de jornada, não negar-lhes o pão, não negar-lhes a participação num carisma de Misericórdia que é nossa espiritualidade.

 


Depoimento da arquiteta Kátia Rocha, sócia da construtora Arquiteq, de Maceió, que apoio a Fundação Terra com a construção da Escola de Marcenaria Divina Misericórdia - Alagoas  

Em 2014, por motivos de trabalho, comecei a vir a Arcoverde. Em Maceió (AL), eu participo de grupos de evangelização. Lá, eu ia para as palestra de Padre Airton e já ouvia falar muito do trabalho dele. Então, Nosso Senhor me colocou para cá. E eu não sabia realmente como a minha vida mudaria, assim de uma hora para outra. Eu vim para cá para o Sertão de Pernambuco. Quando cheguei aqui, a minha maior dificuldade era falar com Padre Airton. Fazia tudo para falar com ele, mas não conseguia. Ia para adoração, ficava encantada, mas não conseguia falar com ele. Então conheci um sobrinho dele e, através desse intermédio, fui tendo contato e senti a necessidade de fazer parte desse trabalho tão maravilhoso, que é feito com a ajuda de tanta gente. Então, eu conheci Padre Airton e disse que queria participar. Ele me disse que estava precisando fazer um galpão na Fundação Terra, que seria a escola de Marcenaria, e eu disse que ajudaria.

Um dia, eu fui para a Adoração e, na saída, a pessoa que havia me levado demorou muito a ir me buscar. Para nós vermos como são as coisas de Deus. Na saída, apareceu Fafá (a arquiteta Fátima Morais, voluntária da Fundação Terra) e me ofereceu carona. No caminho, nós fomos conversando, e ela conhecia vários dos meus amigos de Maceió. Então, ela disse que estava muito feliz, porque Padre Airton tinha dito que havia conseguido uma empresa para ajudar na construção do galpão. Aí eu disse: “Fafá, eu sou da empresa”. E nós começamos a conversar sobre o projeto. E aí surgiu a minha cooperação para realizar a construção. Foi uma luta, tem dois anos que a gente começou. Mas está aí, pronto, para a Fundação Terra, para servir a esses jovens em busca de profissionalização.

 


Depoimento de Padre José Sampaio Alves, da diocese do Crato, no aniversário de 33 anos da Fundação Terra  

Sempre venho à Fundação Terra para rezar, estar na companhia do Padre Airton e sentir a Divina Misericórdia, que está presente nesta obra tão linda. De tempos em tempos, Deus solicita pessoas especiais para obras especiais. Pessoas guardadas em seu coração. Ele envia essas pessoas para serem sinais vivos de Sua graça, de Seu amor, principalmente para aqueles que estão na aflição, na periferia da vida, na periferia das cidades, mas também em qualquer forma de sofrimento humano. A Misericórdia se estende até nós através desse servo de Deus, nosso irmão, o sacerdote Padre Airton Freire, por quem nutrimos particular apreço, pela sua pessoa, pela sua vida e pela sua obra. Uma obra de Deus, através de suas mãos humanas e sacerdotais, que é para nós conforto, abrigo e alegria.

Sempre que vemos o Padre Airton e a Obra da Misericórdia, nós louvamos a Deus. Muito obrigado, Senhor, pela Fundação Terra. Muito obrigado porque Tu te fazes presente na vida dos Servos de Deus da Fundação Terra, que tem essa dimensão linda, espiritual, e também essa dimensão humana, social, transformadora, que reabilita as pessoas. Devolve às pessoas a sua dignidade, que Deus colocou na Criação. Entretanto, pela injustiça, pela ganância e pela falta de visão, as pessoas escravizam as outras, pela falta de Misericórdia. A Divina Misericórdia é o nosso esteio, nosso chão. O fundamento de toda essa obra nasce no Coração Eucarístico de Jesus. Como Padre Airton falou aqui, tudo começou numa Missa, com uma criança pedindo o pão. E aquele pão que ela pedia era ao mesmo tempo o pão material e o pão espiritual. O pão que é Jesus Cristo, que sacia o corpo e sacia mais ainda a nossa alma. Que Deus conceda a esse servo seu muita saúde, para continuar essa obra.

 

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